Idoso é mantido preso em “jaula” perto de chiqueiro há mais de 1 ano

Dentro de um quartinho fechado com grades, corrente e cadeado. No fim de um quintal ladeado de currais e galinheiros infestados de fezes de animais. Sozinho e com apenas duas refeições por dia. Essa era a forma como o idoso Manoel Salustino de Lucena, 70 anos, vivia há mais de um ano na cidade de São Rafael, distante 216 quilômetros de Natal.
O cárcere privado foi descoberto por uma equipe de policiais civis da Delegacia de Assu na tarde do sábado (10). De acordo com o delegado Cidorgenton Pinheiro, o idoso era mantido preso pelos seus cuidadores, que não eram parentes, mas sim uma família que assumiu o encargo de cuidar dele recebendo parte da aposentadoria.
Segundo a polícia, além de ser mantido em cárcere, o idoso não tinha acesso nenhum à aposentadoria, que vinha sendo desviada pelos cuidadores para os mais diversos fins. Ao ser questionado pelo delegado sobre as condições em que vivia, Manoel Salustino, respondeu de maneira lúcida que estava sendo mantido preso como se fosse um criminoso, mas que não havia causado nenhum mal a ninguém e que estaria no local há mais de um ano, contra sua vontade. O idoso relatou à polícia que era retirado do cárcere apenas para ser vacinado.
A polícia ficou sabendo da situação através do Disque-Denúncia. De acordo com a denúncia anônima, Manoel Salustino era mantido numa “jaula” com cadeado. A equipe foi até o local durante a execução da 6ª fase da Operação 60 horas e constatou que o idoso era mantido em uma pequena construção com dois cômodos, sendo um deles um quarto, onde também ficava um banheiro com uma torneira, baldes e um sanitário, além de uma cama. O delegado verificou que nada mais existia no quarto. Sem janelas, o local era fechado com uma porta, uma grade, corrente e cadeados, semelhante a uma cela ou “jaula”.
Cidorgenton Pinheiro informou que não houve prisão em flagrante, mas as investigações já começaram para os necessários indiciamentos. O idoso será encaminhado para um abrigo e o procedimento investigatório foi instaurado para apuração das responsabilidades criminais dos envolvidos. As denúncias podem ser feitas para os números da Polícia Civil: (84) 99992-2122 e 98155-2956.

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