Fátima derrota Carlos Eduardo e é eleita com mais de 1 milhão de votos

A senadora Fátima Bezerra (PT) será a próxima governadora do Rio Grande do Norte. Eleita com mais de 1 milhão de votos neste domingo, a petista será a única mulher a governar um estado do Brasil a partir de 2019. Ela será, ainda, uma entre os quatro governadores do PT – que elegeu correligionários na Bahia (Rui Costa), no Ceará (Camilo Santana) e no Piauí (Wellington Dias).

Vencedora pela primeira vez de um pleito para cargo executivo, Fátima interrompe na metade seu mandato no Senado Federal, conquistado há quatro anos. Com sua renúncia, que deve acontecer em dezembro, o primeiro suplente Jean-Paul Prates (PT) assumirá definitivamente a vaga no legislativo. A governadora eleita vai suceder Robinson Faria (PSD), que concorreu à reeleição, mas ficou em terceiro lugar.

Com 100% das urnas apuradas, Fátima Bezerra totalizou 57,6% dos votos válidos (1.022.910), contra 42,4% de Carlos Eduardo Alves (753.035). Entre os eleitores que compareceram, 1,75% votou em branco (34.072) e 6,81% foram de votos nulos (132.179). A abstenção foi de 18,14% do eleitorado.
Com 63 anos de idade e natural de Nova Palmeira, na Paraíba, Fátima Bezerra é pedagoga e professora. Ligada ao movimento sindical e filiada ao PT desde 1981, Fátima foi duas vezes deputada estadual e outras três, deputada federal. Durante seus mandatos, se destacou pela defesa de projetos na educação. Atualmente, cumpre seu primeiro mandato como senadora.
A eleição de Fátima Bezerra torna o Rio Grande do Norte o estado do País que mais elegeu mulheres como governadoras em sua história. Antes de Fátima Bezerra, foram eleitas Wilma de Faria (em 2002 e 2006) e Rosalba Ciarlini, hoje prefeita de Mossoró, em 2010.
Entre as principais propostas da governadora eleita, está a recuperação do Plano Estadual de Educação, criação de escolas em tempo integral e expansão do ensino profissionalizante (educação); a criação de uma rede de policlínicas para consultas com especialistas e a reformulação dos hospitais regionais (saúde); e a realização de concursos públicos, a instalação de câmeras de videomonitoramento e a instituição de seguro de vida para policiais militares (segurança).
“O Rio Grande do Norte terá a primeira governadora de origem popular”, disse a senadora Fátima Bezerra em sua primeira entrevista como chefe do Poder Executivo do Estado a partir de 2019. Feliz, ela destacou que chega para governar com força política, ciente de uma série de desafios que vai enfrentar, como, por exemplo, colocar a folha de pagamento dos servidores em dia, resolver o problema da falta de segurança e gerar empregos.
Esses são três problemas elencados por Fátima Bezerra após ser anunciada governadora. Questionada se teme uma situação difícil com o presidente eleito, Jair Bolsonaro, antipetista declarado, Fátima explicou que as principais transferências de recursos federais – como o Fundo de Participação dos Estados (FPE) e Fundo de Participação dos Municípios (FPM) – são constitucionais e não dependem da vontade do presidente.
Para ela, a relação com o presidente Bolsonaro será de respeito mútuo. “Por isso, o povo do Rio Grande do Norte não tem o que temer. Respeito o presidente eleito e tenho certeza que ele me respeitará. Tanto ele, quanto eu, fomos eleitos, e esta questão tem que ser levada em consideração”, destacou Fátima Bezerra, que inclusive já recebeu o apoio de Styvenson Valentim (Rede Sustentabilidade), eleito senador. “Ele me ligou e disse que estará comigo na luta por um Rio Grande do Norte melhor. Nosso estado está bem representado em Brasília e aqui conseguimos apoios políticos importantes que farão a diferença”, acrescentou.
Carlos Eduardo deseja “êxito” à vencedora
Candidato derrotado, Carlos Eduardo Alves emitiu uma nota à imprensa assim que Fátima se tornou matematicamente eleita. No texto, o ex-prefeito de Natal agradeceu aos eleitores pela votação obtida e resumiu sua campanha como “limpa e propositiva”.
“Quero expressar profunda gratidão aos norte-rio-grandenses que confiaram em nossas propostas, nossas ideias, na nossa capacidade administrativa e deram o seu voto ao 12, na confiança de que, das urnas, nasceria um Rio Grande do Norte pautado pela ética, a gestão eficiente e a tolerância zero com a corrupção”, frisou o candidato do PDT.
O segundo colocado na disputa pelo Governo do Estado disse também que o Rio Grande do Norte “chegou ao fundo do poço” nos últimos quatro anos e justificou que decidiu renunciar à Prefeitura do Natal porque quis propor uma mudança na gestão estadual.
Carlos Eduardo agradeceu também ao seu partido, o PDT, e os ao ele coligados: DEM, MDB, Podemos e Progressistas. “E, no segundo turno, à relevante presença do PSL”, do presidente eleito Jair Bolsonaro.
“Cabe-me exercer a missão delegada pelo povo do meu Estado. Irei cumpri-la. À minha adversária, sinceros votos de êxito. Na minha vida pública, aprendi a ganhar e a perder. Desistir, nunca! Jamais!”, finalizou.