Jornalista precisou provar ao Google que não estava morta


Rachel Abrams/NYTimes




Rachel Abrams escreve para o jornal norte-americano The New York Times desde 2013. Porém, para o mecanismo de pesquisa do Google, 2013 é o ano de sua morte, o que gerou uma verdadeira jornada por parte de Abrams para que a empresa reconhecesse que ela está viva. A confusão acontecia porque ao se buscar o nome da jornalista, a ferramenta de busca mostrava informações sobre outra Rachel Abrams, escritora falecida em 7 de junho de 2013. Porém, o retrato da Rachel jornalista era que aparecia junto as informações da Rachel escritora.
A outra Rachel Abrams era esposa de Elliot Abrams, político que ocupou altos cargos nos governos dos presidentes Ronald Reagan e George W. Bush e escrevia um blog. “Muitas pessoas tentam remover informações negativas e imprecisas sobre elas na internet. Existem empresas que fazem esse trabalho para você. Mas a informação errada aparece mais frequentemente em websites do que no Google em si”, contou a jornalista em um artigo chamado O Google acha que eu estou morta, publicado no The New York Times.
Segundo ela, a empresa não enfatiza tanto um suporte técnico humano, apenas feedbacks onlines, o que foi um problema para a resolução. “Eu acredito que eles tenham algum número de telefone em algum lugar, mas eles empurram todos fortemente pelos canais onlines”, afirmou Rich Matta, executivo-chefe da ReputationDefender, empresa especializada em corrigir informações erradas sobre pessoas na internet. Ele afirma que é muito difícil fazer conseguir correções em que não é tão claro que há alguma violação da lei.
A primeira tentativa foi procurar alguém do setor de comunicação do Google e se identificar como membro da imprensa. Foi enviado um link da página de ajuda do Knowledge Graph, o card de informações que aparece no topo direito da tela nas pesquisas. Esse card é o que provê informações para aparatos de assistência virtual inteligente, como o Alexa (Amazon) e o Google Home. Ela não obteve sucesso nessa tentativa online. O próximo passo foi ligar para o Googleplex, a sede da companhia. O atendimento automático informou que eles não ofereciam suporte pelo número, apenas online. Apesar disso, ela insistiu e conseguiu ser atendida por um atendente da companhia, que a auxiliou no preenchimento de um formulário online. Entretanto, as alterações feitas dessa forma levam entre três semanas a três meses.
Uma das alternativas pensadas foi o de criar uma página na web com as informações da jornalista e esperar que eventualmente ela ficasse mais popular do que o blog da outra Rachel, modificando o Knowledge Graph. Ela não optou essa alternativa por não achar justa. Por fim, ela mandou e-mails para Sundar Pichar, executivo-chefe do Google e para a porta-voz da empresa, falando sobre o problema e alertando que estava escrevendo um artigo sobre a questão, além de pedir uma resposta para colocar no texto. “Foi um requerimento de um jornalismo justo, mas também foi um passo para fazer o Google resolver o problema mais rápido, uma vantagem que a maioria dos usuários não possui”, admitiu Rachel. Ela recebeu um resposta confirmando a dificuldade da mudança e garantindo que um novo sistema facilitaria isso em 2018. A sua foto foi removida algumas horas depois. “O senhor Pichai não respondeu, mas minha foto foi removida horas depois. Eu estou viva de novo”, conclui.


Fonte: http://curiosamente.diariodepernambuco.com.br/project/jornalista-precisou-provar-ao-google-que-nao-estava-morta/