Autismo pode ser causado por infecção durante gravidez





Com o aumento, desde a década de 1980, no número de casos diagnosticados de autismo — uma em cada 68 crianças nascerá com o distúrbio —, cientistas estão atrás de causas ambientais que ajudem a explicá-lo. Por observação, sabe-se que mulheres severamente infectadas por vírus durante a gestação correm mais riscos de dar à luz um bebê com o transtorno de espectro autista (TEA). Da mesma forma, estudos com animais demonstram que a resposta imunológica à presença de um micro-organismo externo causa, na cria, comportamentos sociais atípicos. Agora, dois artigos publicados na revista Nature ajudam a lançar luz sobre o fenômeno, mostrando que há mais ligação entre infecções e risco de TEA do que o imaginado.

Os trabalhos, realizados na Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard e no Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT), ambos nos Estados Unidos, devem, segundo os autores, ajudar a buscar futuras estratégias de prevenção. Por ora, os resultados se aplicam ao modelo estudado: ratos cujas mães foram infectadas, na gestação, com uma bactéria prejudicial à flora intestinal. “Se conseguirmos replicar nossos achados em estudos com humanos, poderemos oferecer uma forma de reduzir o risco de autismo, bloqueando a função de algumas cepas de bactérias encontradas no intestino das mães”, diz Gloria Choi, professora de ciências do cérebro e da cognição do MIT e líder de uma das pesquisas.

Os autores dos artigos explicam que a associação entre infecção materna e autismo ganhou força em 2010. Foi quando um estudo epidemiológico dinamarquês com dados de todas as crianças nascidas no país nórdico entre 1980 e 2010 constatou que o contágio viral severo no primeiro trimestre de gestação aumentava três vezes o risco do transtorno. Já as infecções bacterinas no segundo trimestre estavam associadas a uma chance 1,42 maior. Entre as doenças estudadas estavam influenza, gastroenterite e infeção do trato urinário.

No ano passado, Gloria Choi e Jun Huh, da Faculdade de Medicina de Harvard, fizeram uma importante descoberta nesse campo. Em um trabalho publicado na revista Science, eles revelaram que células do sistema imunológico chamadas Th17 produzem uma molécula, a IL-17, que, em ratos, é responsável por transtornos comportamentais semelhantes aos verificados em humanos com autismo. Quando as gestantes eram infectadas com vírus e produziam a resposta de defesa, o IL-17 interagia com receptores do cérebro em desenvolvimento dos fetos, produzindo anomalias em algumas regiões do córtex. Agora, porém, as pesquisadoras se aprofundaram no mecanismo e o associaram, também, à flora intestinal da mãe.


Fonte;http://curiosamente.diariodepernambuco.com.br/project/estudos-indicam-que-infeccoes-gestacionais-podem-causar-autismo/

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